4.6.07

TudoOQueEuQuis




Fiz porque quis, estava por querer estar e disse que não me arrependeria, não menti, não me arrependo, intenso, como jamais foi, do modo que eu queria, da maneira exata de me fazer querer mais, e mais e mais, para sempre, quantas vezes usei esta palavra, sempre, o sempre, sempre acaba, invariavelmente acaba, pois são dois, e sempre alguém pede água, é forte, é tudo, foi o mundo, me perdi no desconhecido, queria mais, uma parte ainda quer, embora, ainda doída, mas não voltaria, nem por impulso, nem por tudo o que foi e será e que sinto e quem sabe ainda sentirei, pois acredito em minhas palavras, foi verdadeiro e falso, tudo, nós nos nossos instantes, momentos perdidos no meio de tanta confusão, incoerente, inconsequente.


O coração passou apertado, travado, quase sem pulsar, e o dia acabou e é bom, voltar pra casa, sentar, poder chorar, abri um vinho, desce quente, aquece o coração partido, a alma, não poderia falar da alma, está perdida ainda, vagando por aí sem encontrar um caminho de volta pra cá, me sinto um vaso vazio, caminho sem rumo, sem querer chegar a lugar algum, perdida entre tudo que vi, confusa quanto a tudo que passou, não sei explicar, não sei se quero, acho que me sentiria pior do que já estou.


Queria que tivesse sido apenas sonho, mensagens do inconsciente de algo que desejo, algo que quero eternamente, não poderia lutar contra tantos anos, nem tenho forças, nem o faria, meu orgulho ferido não permitiria, um sonho, não quero, não queria acordar, a realidade dói demais, ingênua por pensar que essa história seria diferente da outra, já tinha sido, sabia o final, apostei fichas, dei tudo o que tinha, perdi, perdi tudo, o rumo, o prumo, perdi algo que preciso reencontrar o quanto antes, perdi o sorriso, o brilho no olhar, eu olho no espelho e busco, fecho os olhos, vejo dentro e não acho, quero de volta, mesmo sem tudo que o causou, quero só meu sorriso, quero só o brilho no olhar, o resto eu recupero, aos poucos, durante voos solitários que ainda hei de dar, a solidão me agrada.


Não entendo nada, penso no que foi e da maneira que se foi, e não entendo nada, como poderia ser, algo forte como foi, tenro, tenso, intenso, carnal, irreal, mágico, puro, sacana, como? Como acabar, como dizer adeus à tudo isso, me explica, não, não quero explicações, seria demais para mim, eu acho, mas também, já passei por tanto desde sempre, seria só mais um, mas não entendo, não trocaria o que foi por nada, mas essa sou eu, ou ao menos era, não sei como será quando tudo passar, tenho medo, medo de nunca mais poder acreditar.


Como eu pude ter sido tudo que dizias em teus olhos e palavras e não ser mais em poucas horas, como se joga isso para o alto, não importa o tempo, mas sim os sentimentos, por isso não sei mais se acredito em tuas doces palavras, entende? Como poderia? Sei, são anos, em tuas palavras, amor, talvez seja isso, amor, quero sentir isso, pois se for mais forte do que tudo o que vivi, o quero e o buscarei, todos os dias, amor, palavrinha boba, dita as vezes sem querer dizer nada, o que é isso que fez apagar o incêndio que queimava tudo, que apagou as lembranças de algo único, sim, foi único, me procurou a vida toda e quando me acha abre mão, eu não abriria, não abri, fui obrigada a deixar ir, deixaria de novo, mas não entendo, não faz sentido, é tudo tão contraditório...


Entre vírgulas, lágrimas, os olhos se fecham, o ar entra nos pulmões e não alimenta nada, é tudo vazio aqui dentro, não sinto nada, anestesiada, pela dor, nem dor eu sinto, é nada, é uma tristeza que invade levando tudo embora, não resta nada e quero resgatar tudo, tudo, o que era tudo mesmo? Quem eu era antes disso? Onde está a pessoas que eu admirava, pela força, fugiu, com medo, covarde, eu fugindo de mim mesma, de uma dor que eu própria causei, não deveria ter resistido ao primeiro dia, seria só aquilo e nunca mais, e não sentiria tudo isso.


No fundo, essa dor me faz bem, estou viva não é mesmo, não sentiria se não estivesse, a dor cura, passará eventualmente e serei capaz de digerir e voar, ainda não posso, nem quero, é preciso sentir, é preciso enfrentar, eu o farei, já se foram tantas vezes, tantas mágoas, mas o farei, novamente, um dia, por hoje, apenas as lágrimas, como companhia.

AsasAoSol


Guardamos nossas verdades para nós mesmo, as mentiras que contamos enganam apenas o próprio coração, fechamos os olhos para não ver o que está na frente, esquecendo que na verdade está dentro, palavras, injúrias, calúnias, provocações, nada, nada fará mudar a verdade que guardo. Nenhuma palavra foi um dia usada para ferir, eram e são e sempre serão a minha verdade, não me importa se ferem ou transformam, são palavras, expressões de sentimentos legítimos, se olhasse nos olhos, saberia ler que por dentro são palavras ainda mais duras, verdades mais cruéis, não quero, não vou, levantar a voz disse o que queria dizer, talvez não tudo, mas não importa, não serviria de nada continuar falando, palavras não fazem a dor desaparecer, não quero mais nada, vai passar. Minhas verdades, são só minhas e não valeria de nada explicar que não faço para ferir, não quero explicar nada.

São os grandes e pequenos tombos e tropeços da vida que nos tornam mais fortes e formam quem somos, dei um rasante sobre a terra vermelha, ali, onde me parecia haver um belo riacho, devia ser o calor, a vista confundiu, caí, foi feio, mas não quebrei a asa, apenas feri, ainda sangra, nessa poça de sangue, encaro meu rosto, olhos fundos, mais ainda mantém seu brilho, a ferida vai cicratizar, e baterei as asas novamente, levando em meu coração penas mais uma cicatriz entre tantas outras, aprendendo pela dor o que poderia ter visto apenas com os olhos, mas sou assim, me encanto e me deixo levar. Culpa minha, não existe mais motivo para dizer duras palavras, acreditei no quis ver, fechei meus olhos, mergulhei, e o fiz pelo simples querer.

As lágrimas vão secar, e tão logo o sol me aqueça, esquecerei de tudo, belo castelo construído sobre o nada, construí porque quis, e não há motivos para culpar qualquer outro, seria mais fácil realmente, pois sempre o é, mas não o faço, por saber que ando e voo, por onde bem entendo e que de maus passos só quem sabe sou eu, eu vi a curva e caminhei por ela, entre belas árvores cheias de flores e frutas, de cores intensas, e cada passo, andei sorrindo, nada paga a felicidade de ter andado por tão bela trilha, nem a tristeza, de chegar no fim do caminho, acabou, é hora de achar um atalho para a estrada.

É certo que neste momento, me sento olho para trás, tentando entender, mas não quero no fundo pensar mais, estou ao sol, esperando o coração aquecer, e ele irá. Esta é a certeza que guardo, trilhei porque quis, andei porque bem entendi, então não existe culpa que não seja minha, não existem momentos que não tenha buscado.

Vês, estou escrevendo, belas palavras, com sangue e lágrimas em um pouco de areia do que sobrou, não apagaria as duras palavras escritas com fúria, entre lágrimas, mas hoje, já não sinto mais isso, o sangue seca, a ferida fecha e a vida que segue, é linda, é minha e como sempre será vivida.


CovardeCanalhaMentiroso


Canalha, covarde, mentiroso, ator, cínico, mentiu, com toda pompa e máscara, mentiu, espero que o jogo tenha sido bom, que tenha se divertido, foi bom para você, se divertiu? Trepou com a garota gostosa do bar? Fugiu um pouco de sua própria mesmice? Me fez voltar, acreditar em algo que nunca existiu, me tirou do eixo, está feliz agora? Mais realizado? Ator! Espero que esteja feliz, não me conhece, voarei longe, longe, voarei, tentei te mostrar a vida, apresentar felicidade, não quis fingir, espero que tenha sido bom, no fundo, já sabia, te disse, te disse que sabia, você negou, se lembra? Eu me lembro, burra romântica que fui, acreditei sem querer acreditar, me pediu para olhar nos teus olhos e crer, burra, senti e vivi, e te digo mais, muito mais do que não disse, amei, mas foda-se, porque você não merece, nunca mereceu, nem nada do que foi para mim, você não mereceu, é covarde demais, cego demais, cínico demais.

Vá, vá e seja feliz em sua mesmice, em seu grande amor, como se eu acreditasse em tais palavras, pois não acredito mais em nem teus olhos, cínico, ator, burro, não sabe o que é, mas eu fiz o que deveria ter feito por você, mesmo supondo as consequências, burra eu, por saber levar, mas tudo bem, me supero, foda-se, foi, acabou, foram duas boas gozadas, era só isso que você queria, que bom, conseguiu.

Pena ser assim, acreditei, problema meu, dor minha, não é assim? Covarde, mentiroso, cuzão, é, é, é sim, pois disse o que não sentia, olhou como devia, com teus olhos mentirosos, com desejos que nunca teve, com lágrimas que nunca realmente chorou, mentiroso, meticuloso, calculista, cretino, vá, e viva sua triste vida.

Covarde, me fez crer, acreditar, num castelo de areia que o mar já levou, daqui, meu querido, não restará carvão algum, foi fogo de palha, e da palha, quando queimada, não resta nada, nem história, nem pó, nem nada, apenas isso, o saber do ser covarde, nunca o fui, ainda o és, talvez sempre sejas, o sentimento da enganação.

Foda-se, pois já vivi demais para sofrer por canalhas, por ordinários, e quer saber, sim, a definição de canalha, de sua própria boca: filho-da-puta, é isso, deveria ter sido apenas um chinfrim, mas não, foi o que realmente és, um ordinário, canalha, covarde, faz-se crer no que bem queira, nesse seu amor que muda de lugar quando no lugar comum, fingido, cretino, leia bem, pois não leras mais palavra alguma de mim, fingido fuja, corra para tudo o que acredita em tuas belas mentiras.

Mentes para si mesmo, não é problema meu, nunca foi, até o momento em que resolvi acreditar, fingido, falasse a verdade, ainda seria a mesma que fui nesses dias, falasse, fosse honesto, nunca foi, não me digas que acreditei no que quis, pois acreditei em tuas pelavas, em teus olhos mentirosos, em lágrimas falsas, engoli o salgado de teus olhos, antes fossem doces, mas eram salgados, problema meu, vivi, sozinha, pois se como me dizes, estavas confuso, sim, foi sozinha, problema meu, mas voarei, como sempre o fiz, sem dar satisfações.

Cartesiano de merda, quer da vida o que lhe é mais fácil de lidar, o que sabes que pode controlar, teve um pássaro nas mãos, preferiu a sombra de algo que não o incomode, sem sabor, sim é sem sabor, sem paladar algum, não diga que não sei do que falo, pois sei, cartesiano de merda, quer tudo em seu devido lugar, passará pela vida sem tê-la vivido realmente, problema seu, vida sua.

Leia bem estas palavras e lembre de meus olhos, pois estes nesta noite, derramaram lágrimas que nunca verás, nesta noite, nesta mesma noite, estes olhos esquecerão dos teus, olhos cheios de mentiras e máscaras, esqueças todos os confetes, foram feitos à pessoa errada, pensei, refleti, senti, tudo nem tão errado assim, poderia ser mais, cartesiano de merda, será, em pouco tempo, realmente um chinfrim, mas não penses que não levarei algo de bom de tudo isso, levarei a certeza de que existe algo, não em você, mas em mim, mais forte do que tudo isso que estupidamente chamei de amor, fiz planos, acreditei, tenha a certeza que desta sairei mais forte, pois sairei, tão rápido quanto um pássaro no outono.

Não guardo, um adeus saudoso, uma memória de algo realmente vivido, foi pura encenação, tua, um belo espetáculo, merecias não apenas a palma de ouro, mas que saber um oscar, ou qualquer coisa que o valha, fui uma peça, na qual fui mera coadjuvante, poderia ter sido mais, mas no palco de mentiras, reinarás sozinho, num monólogo, mas não se preocupe, meu belo ordinário, ainda restarão almas neste mundo que acreditem em tuas mentiras, eu própria me enganei, quando olhando em teus olhos, mas sabendo de tuas mentiras quando longe, mas sou caso à parte, pelo que dizes, vim do mesmo planeta que você, então, era de se esperar que o conhecesse melhor que qualquer outro, não é mesmo?

Te trouxe ao meu mundo, disse que queria, mais, entretanto, não conseguiria segurar a barra de algo novo, de algo intenso, sem metas, sem planos, algo, realmente vivido, não tem culhão, não poderia encarar, não tem coragem , sim, é um cartesiano de merda, com mil defeitos, assim como eu, mas que não sabes aceitar e superar, é, e será sempre, um cartesiano de merda, sua empolgação pelo novo passou, não me fale em amor, não acredito em tuas belas palavras, são apenas retratos do que deveria ser mas não és, pena, tinha tudo para ser, viva, te peço que viva, pena não saber viver...

Vá, para bem longe, seja feliz, em tuas escolhas, não é triste nem saudoso esse adeus, pois não se diz adeus ao que nunca teve.

3.6.07

CartaÀUmAmigoEspecial


Querido amigo, sinto por ser desta forma, mas conosco sempre foi meio assim mesmo, já acostumei, sinto se te prejudiquei de alguma forma, se entre nossas brincadeiras havia espaço para interpretações, sempre deixamos espaço, sempre brincamos, sempre provocamos e não deveríamos, mas sempre fomos assim, digo sempre, pois mesmo a distância e as circunstâncias, nos espaços, ainda lembramos, ainda brincamos e saberemos sempre de nossas brincadeiras, de nossos tapas na cara, dos nossos cala boca, sempre haverão os nossos, as nossas coisas.

Levarei na lembrança tua amizade, nossas risadas, e mesmo longe será eternamente um amigo querido.

Mas quero que saibas que realmente sinto e sabe que vindo de mim, não preciso me explicar muito, você sempre sabe (sempre soube, droga!), te desejo tudo de bom, que essa tempestade passe logo e que as coisas se acertem, não fique bravo pelas palavras usadas contra mim, eu não fiquei... Você sabe que sei tanto sobre mim que tais palavras não me fariam perder o dia, na verdade (ah vou falar mesmo) dei risada, mas depois fiquei triste, não por mim, mas por imaginar como isso deve estar sendo para você, não queria isso, de verdade, sabe que sempre respeitei sua situação, e sempre dei força para que se acertassem, continuarei dando, mesmo de longe, torcendo para que dê tudo certo, tenha calma, fale com ela daquela seu jeito manso (você sabe ser manso quando quer, então o seja!) diga que eu sumi, e sumirei, continuarei levando as coisas leves, com saudades da nossa amizade, mas levarei.

Queria poder te contar, das coisas maravilhosas que estão acontecendo, sei que ficaria feliz por mim, que daria força, você iria gostar dele, tenho certeza, quem sabe um dia, nesses desencontros da vida você nos veja felizes e fique feliz por mim, (sei que ficará, pois me deseja tão bem quanto te desejo).

Querido amigo, te levarei em minhas lembranças, nas risadas que demos, te levarei guardado, como uma bela amizade, que não morreu, nem vai. Pensarei que foi viajar para longe, sem data para voltar e que aonde estás, estarás bem, feliz, vivendo, como sempre quis.

Um Beijo no Coração, Fica com Deus

2.6.07

TudoTãoPerfeito


Tudo tão perfeito que fico procurando erros escondidos, pequenos detalhes que me façam acreditar que tudo isso é verdade, buscando algo que me faça descer das nuvens e pisar no chão, buscando um lugar seguro para me agarrar, por isso o olhar perdido, a boca entreaberta querendo falar sem dizer nada. Pensei, pensei, pensei e dormi, acordei melhor, mais consciente de tudo, de quem sou e de como quero levar isso, sem planos, sem promessas, momentos, serão momentos e durarão o tempo que tiver que durar, desejo realmente que dure e perdure, mas vou ser leve, flutuar, sobrevoar o mundo e deixar que tudo isso me leve para onde tiver que levar, vou a favor do vento, intensa, mas a favor, não buscarei mais nada, talvez esses instantes ainda voltem a perturbar, sou assim mesmo, e como sempre disse, foda-se.

Não procurarei mais explicações para tudo isso, eu já as tenho dentro de mim e é bobagem querer mudar quem sou e o que sinto, um grande poeta disse assim: De tudo, meu amor serei atento; Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto; Que mesmo em face do maior encanto; Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento; E em seu louvor hei de espalhar meu canto; E rir meu riso e derramar meu pranto; Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure; Quem sabe a morte, angústia de quem vive; Quem sabe a solidão, fim de quem ama; Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :Que não seja imortal, posto que é chama; Mas que seja infinito enquanto dure." Então será, infinito, enquanto o tempo nos deixar, enquanto alimentarmos nosso incêndio com lenha, será e pronto, sem lamentações, sem medo de acabar, será vivido, curtido, sonhado, encantado, intenso, será e pronto, sem lamentações. Se um dia essa chama se apagar e dela sobrar apenas carvão preto, usarei os restos mortais desse amor para fazer belos desenhos em paredes brancas, escrever nossa história no chão de pedras, e também será efêmero, posto que a chuva um dia chega, mas não me importarei, guardarei teus olhos, teu cheiro, tua voz, teu sorriso teu corpo, teu sexo, teu abraço, guardarei em meu sorriso e no brilho que levarei comigo em meu próprio olhar.

Posto que é chama, deixarei arder, queimar tudo por dentro, transformar areia em cristal, deixarei levar, me deixarei consumir, posto que é chama, não existe, agora, tempo para pensar, é sentir, e sentindo vou levando cada dia com mais intensidade.

1.6.07

TenhoAndadoPorAí


Tenho andado por aí sorrindo sozinha, olhando pro céu, sem pressa, estou rindo à toa (nem tão à toa assim), estou cantando sozinha, olhando o relógio esperando a hora de chegar, pensando bobagens, doces lembranças de um tempo que não quero deixar passar, é a luz dos olhos que não quer cegar, o sorriso dos lábios que me deixam beijar, o cheiro que já se incorporou ao meu e não vai me abandonar, é o dia que passa tão devagar e a noite que corre, parecendo fugir entre os dedos, os suspiros incontáveis, companheiros diários na espera da sua hora de chegar.

Vem, vem correndo e não demora, vem, vem sem tempo de ir embora, vem que estou te esperando a horas.

E é tão bom, me sentir assim, confesso, mesmo não querendo, confesso, que embora seja de minha natureza me deixar apaixonar, nunca foi assim, com tanta certeza, vontade, desejo, simplicidade, honestidade, tesão, alegria, medo, vontade, é uma coisa tão certa que até assusta, é tão real que até parece sonho, não ter dúvidas, não tenho, nem uma mais, achei, está achado, é o que quero, não importa que seja cedo, achei, estou certa, procurei tanto, por tanto tempo, me enganei algumas vezes, confesso, mas não sabia, que existia algo assim, tão completo, e mesmo nas diferenças, nos achamos, olhamos, com outros olhos, não nos importamos, é tão mágico.


Olhos olhando nos olhos, boca, cabelo e nariz, olhos perdidos nos olhos, sem dizer dizendo tudo, sem reservas sem tempo, com pressa de ter pressa, sem ser efêmero, olhos mirando na alma perdido no espaço de um tempo vazio, olhos molhados de felicidade, piscando tão rápido para não perder milésimos de olhar, sorriso sem graça escondido, enrolado no pescoço querendo gritar, bocas coladas suadas de tanto beijar, lábios cansados arfados mordidos, desejo incontido, mãos buscando o toque da pele, contato quente, o peso do corpo caído, coração pulsando tão forte, batendo um contra o outro num ritmo doido, que nunca antes existiu, palavras que parecem não dizer, não dizem mesmo tudo que se quer fazer compreender, mas os olhos, ah os olhos, esse sim, dizem repetem o tempo todo, sem censura, quase que gritam alto demais,

Cada segundo é um, único, não volta, guardado, com pompa, numa caixa repleta de instantes que não se querem ser esquecidos, repleto sim, mas não cheio, nunca estará, e será construído um castelo para guardar todos os tesouros dessa história tão linda que está sendo escrita, bordada com cuidado na seda branca, com linhas coloridas, fios de ouro e pedras preciosas, mas também as não preciosas, pois nesta reside a beleza de uma coisa tão simples e tão importante, um castelo sem portas, sem pontes, aberto para quem quiser visitar, pois tão belo será teu reino, e teus domínios que é maldade não dividir...é felicidade que não cabe, e parece as vezes nem mesmo ser possível existir.

Simplicidade de detalhes, um gesto, um toque, uma fala, um momento precisado, cada pequeno momento é maior que todas as grandes histórias, achado, sim estava lá, escondido, fingindo não saber de nada de fora, mas achado, puxado com força, arrancado do vaso e agora livre para voar, sem querer fugir, sem grades, sem gaiolas, pousado querendo ficar, sem nunca partir, achado, foi tão procurado, em todos os cantos, nos mais escondidos, achado e parece que já tinha passado e que não era para ser, pois nunca antes imaginado, pensado, nem ao menos por um segundo, achado, porque tinha que ser agora, neste momento onde antes separados precisavam ficar, aprender e viver, agora que achado uma nova história, uma nova vida, uma nova trilha há de se seguir, com curvas sinuosas, lindas, as vezes de noite outras tantas de dia, não importa, é nova e será sempre, seguida com o cuidado de ser sentida, colocando cada dia mais lenha para não apagar ou virar apenas carvão morno, não, será sempre incêndio, queimando, ardendo por dentro, sempre.

Sempre, sempre, palavra que quer dizer tudo o que diz, é o que vai ser ser, sempre, um adeus existiu no meio e não existirá jamais, sempre, olhos nos olhos, silêncio gritado, momentos novos que parecem antigos, já de muito muito tempo atrás, momentos já vividos guardados na alma momentos que serão revividos agora, desta vez, neste planeta, pois num outro já ficou para trás e não se há de lembrar mais, agora achado, será vivido, cada dia mais.