25.6.08


É porque as vezes, mesmo rodeada de gente, bate aquela solidãozinha que não se sabe explicar, como se faltasse uma parte, mesmo sem saber que parte é essa, algo como, sei lá, um sexto dedo que nunca existiu, mas que deveria estar lá, não, não tão banal quanto um sexto dedo, cinco já me bastam, é algo lá dentro, mais profundo e mais doído...não estou sabendo explicar, é como uma presença, algo que deveria estar presente e simplesmente não está.

E como é que se vai explicar não é mesmo? Ah, estou com uma saudade de não sei bem o quê, parece até piada, mas está lá, uma saudade, uma dorzinha lá no fundo, e eu não sei fazer mudar.

Boba, fico vendo filmes bestas e achando que sempre ali na curva tem um belo final feliz, pode ter, ou não, quem há de saber...o que importa agora é o caminho, não é o fim do percurso, é o cada passo, é cada segundo, e se vai vivendo, quem sabe um dia, numa curva qualquer da vida, encontro meu dedo perdido por aí hahahaahahahahahahaha

16.4.08

PerguntaESolução


Vale triste e ponto? Triste sem querer dar muitas explicações, um triste assim, de choro engasgado na garganta sem querer chorar, um triste assim de não saber muito bem por onde começar, onde aparentemente deveria existir apenas calmaria, tá tudo assim meio revirado, um tanto remexido por sei lá o que exatamente...

Faltando um pouco de arte, de poder pôr pra fora um tantão das coisas que não sei explicar, e já me dei minha razão, me falta a minha arte a minha expressão.

E só de dizer já é um alívio ao coração. Me falta eu, me falta eu me dando pra mim e mais nada.

10.4.08

Lov.E


O clubinho se foi, levou com ele a lembranças dos tempo que não voltam mais, tempo de uma adolescência tardia onde não existia hora pra noite acabar, levou consigo a lembrança de um lugar que era praticamente a sala de casa.

Deixou na memória momentos hilários, amizades começadas e terminadas, vai deixar na boca o gosto da comida do Dedé, de passar pela pista com um prato de pizza na mão, de pedir pasteizinhos na área vip e enche-los com molhinho de shitake, deixou no coração a lembrança dos amigos que fizemos lá, de um lugar que era sempre fácil encontrar um amigo e papear.

O clubinho fecha as portas e deixa no coração uma saudade grande de quem já foi cliente, foi funcionário e virou família.

Ah o clubinho, dos altos e baixos da turma, de dormir na sala vip, de poder entrar e sair sem pedir licença, clubinho de tomar cerveja atrás do balcão, de sentar no chão de vestiário e chorar de rir, de arrumar encrenca e ter sempre o Buchecha para defender, clubinho...

E nem cabe aqui contar tudo, é bom, deixar as lembranças na memória, o clubinho fecha as portas e eu viro uma página da vida, de certa forma, lá foi também uma escola, posso dizer que amadureci.

O clubinho fechou as portas e como dizem por aí, deixou herdeiros, mas mais do que isso, deixou órfãos.

3.4.08


A vida passa assim mesmo, num indo e vindo constante como mar, num infinito divido que só os verdadeiros de alma sabem aproveitar, são as dúvidas diárias dos que sabem amar. E não existe um momento certo para se dizer do que foi, no deparamos eternamente, com as verdades que a alma conta e o coração chora, são as vírgulas e os pontos finais nos lugares errados que nos fazem pensar, fico aqui falando em nós, mas é tudo muito eu, sou eu sentindo, é meu, escondido guardado, sentimento gozado esse do se lembrar, e as vezes é assim mesmo, é a lembrança batendo à porta, pedindo para ficar, é estranho porque não é assim tão eu, é um pouco do universo conspirando a favor e fazendo tudo girar numa mesma direção.

E eu fico me lembrando do tempo em que escrevia sem pudores e sem amarras, hoje me sinto mais contida, afinal é um tanto complicado mesmo sem assim aberto, sem assim online esse diário de sentimentos, e já me expus demais, não me importa que sejam palavras lidas, acho até bom, mas que é estranho quando se pára para pensar, ah isso é.

Eu encontrei uma luz na escuridão um tempo atrás, parece pouco mas já faz muito e aí vira e mexe, me´pego pensando me pego sentindo uma saudade esquisita, meio reprimida, saudade de poder não falar nada, saudade de não precisar dizer o que não se quer. E as vezes é assim mesmo, é o silêncio que faz o coração falar mais alto.

Tô precisando voar um pouco, me sinto com os pés cimentados no chão, me falta a intensidade característica, me falta o peito arfando, me falta o grito rouco, me falta uma parte de mim que está meio perdida por aí, olho pela janela, e nesse céu nublado tem um pássaro bem grande vinda lá longe por cima do arranha céus da cidade da garoa, as vezes batendo asas, outras só ali, planando pelo ar.

E não sei se me sinto velha para sentar na cadeira de balanço e esperar a vida passar ou se ainda me sinto nova demais para dançar até o dia raiar, não sei mais de mim, eu que já tive tanta certeza, agora me cubro de dúvidas, querendo entender onde estou e quem eu sou.

2.4.08


Dizem por aí, que o ser humano se inspira nos momentos de equilíbrio, entre a dor e o prazer, felicidade e tristeza, é preciso equilíbrio para criar, me questiono...

Acho que a arte se dá na duvida, na busca por uma resposta que a alma pede, é o querer entender mais de si próprio, é querer ver o mundo com os olho d'alma. E não existem respostas definitivas, o mundo está em constante movimento, é a dança silenciosa dos corpos nas ruas, questionarei a todos os instantes cada instante em que vivi, não tanto pelos "e se" da vida, porque afinal, e se já é passado e não poderia ser mudado, se faria algo diferente da vida? Não, não mudaria nem um mínimo erro, eles são parte de quem eu sou, quem eu sou?

Essa é uma bela pergunta, sou assim, um bichinho esquisito, que não sabe bem por tanto desejar, as vezes, eu ouço coisas a meu respeito e não sei direito digerir.

Faz tempo que não vem aquela ânsia de escrever, onde as palavras vinham e eu não podia controlar, hoje eu penso mais, não gosto tanto, me sinto assim um tanto separada de mim mesma, um pouco mais racional, posição que sempre reneguei, continuo não gostando, e fico assim, com o pés no chão, esperando que as asas tomem fôlego para voar, estão cansadas, querem paz, o coração quer ventania, temporal, pés colados no chão...Olhar vagando pela multidão, procurando um sorriso de consolo, um olhar de admiração, uma mão boba procurando um calor quente, um coração buscando respostas.

Só assim, desse jeito meio estúpido, mais um ser humano, vagando na contra-mão

31.3.08


Nem tanto pelo que dizer, na verdade acho que não há nada mesmo, só o ser humano me impressionando cada dia, mais, a descoberta do outro é sempre um assunto fascinante, ultimamente venho pensando muito nessa questão das imagens que passamos, somos realmente o que aparentamos ser, aparentamos ser aquilo que achamos aparentar ser, já dizia aquele ditado antigo, as aparências enganam, enganam quanto e por quanto tempo?

O ser humano é um bichinho raro, raro por cada um ser uma espécie única e ameaçada de extinção, por isso, querido amigo, devemos sempre andar com olhos muito atentos, cada olhar pode ser o último.

Todo momento é único, e o instante perdido não volta no tempo, e lá vou eu de novo filosofando nesse negócio estranho que é o tempo, eita coisinha mais esquisita que é esse tempo doido, e nem venham os físicos dizendo que essa coisa de tempo é sempre linear, é nada, o tempo é tinhoso, anda do jeito que quer, na velocidade que bem entende, vai e volta dando voltas no mundo, fazendo as vezes tudo voltar ao ponto de onde partiu...

E eu fico pensando nessas voltas que o tempo me dá, na maneira como as coisas na minha vida parecem nunca partir completo, eu fico nessas voltas com minhas caraminholas, procurando respostas que parece nunca saberei encontrar e não sei se perco ainda tempo tentando achar o se deixo só o tempo me levar pra qualquer lugar.

Penso que, ah, hoje eu penso que mais nada, hoje eu tô é meio chata, querendo dizer coisas que nem mesmo sei explicar...

11.3.08

QuantasCriançasMais?


Quantas crianças mais perderemos até termos consciência de que é preciso mudar? Quanto tempo já perdemos apenas acreditando que o país vai mudar? Vai mesmo?

Parece que só percebemos o tamanho da merda quando a água já está batendo na bunda. Eu que sempre me considerei ajudando de alguma forma, percebo que na verdade, nunca fiz nada para mudar tudo isso, como outros milhões de brasileiros, reclamo da situação do país, digo que a solução é a educação, mas, no fundo no fundo, o que eu fiz de concreto? O que eu posso fazer de concreto? O que cada um de nós pode fazer, porque no fim das contas, ainda acredito que se cada um fizer um pouquinho talvez alguma coisa mude.

Falamos tanto desses marginais que vivem nas favelas, matando gente, roubando, nos esquecemos de que primeiro, fomos nós, os burguesinhos de merda, que financiamos tudo isso com um simples e inofensivo cigarro de maconha, não vou entrar no mérito das drogas mais pesadas, nós financiamos essa "empresa" que rouba nossas crianças da escola. Nos esquecemos que aquele cara lá do morro que hoje controla o tráfico de drogas já foi uma criança, e como tal, algumas pessoas ou quem sabe apenas uma, acreditava nesse menino, mas somos fracos demais frente a todo o paraíso que o mundo do crime oferece.

Sei, existe sim o lindo lado de alguns poucos, um número quase irrisório, que viraram as costas a este mundinho e se tornaram "alguém", mas isso é pouco, é pouco demais...

Existe sim uma saída possível, leva tempo, muito tempo, mas é preciso acreditar, é preciso educação, é preciso o governo parar de ganhar as custas dos cofres públicos, é preciso um auxílio às famílias, é preciso acabar com o uso ilegal de drogas, é preciso acreditar e mais do que isso, fazer alguma coisa para mudar!

E enquanto nos sentamos confortavelmente nos belos sofás de nossas casas assistindo tv a cabo, quantas crianças mais perdemos para o mundo cão?

A culpa é de cada um de nós, somos nós que criamos esses adultos perversos que hoje não tem mais coração, somos todos pais e mães dos marginais nos roubam nos faróis, somos todos os educadores desses meninos perdidos nas ruas das favelas.

Dói muito, dói só pra quem já sentiu essa dor de saber que um meninos de olhos tão brilhantes, de sorriso encantador, pode estar cada dia mais longe de casa, cada dia mais dentro desse labirinto sem saída, dói mais ainda lembrar, que como ele existem muitos mais por aí, e que com o passar do tempo, os olhos se apagam, para o sorriso será preciso a droga.

Perderemos muitos mais?