6.7.07

Renascendo


Foi lá de cá, um dia, mais tarde, tão tarde que nem sabia mais, tão cedo que não se pode recusar, nem ao menos acreditar, um azul consumindo tudo, era o céu, envolvendo com a claridade do dia no brilho da noite. Um tanto atrapalhado, pela estranheza de todos os fatos, nem lá nem cá, tudo ao mesmo tempo, pensamentos, cabeça funciona, o corpo não obedece.

Era ou não? Instante, momentos, segundos, só cabeça, o resto não obedece, devia, ou não? O que é e não é, não importa, neste momento nada mais, descobertas, pessoais, ainda oscilando, entre cá e lá, mas firme, sabendo já é mais fácil, lembrando, o tempo inteiro, energia flui, transforma, renasce, brilha, mais de mim em mim, mais feliz.

Universo conspira, energia muda tudo ao redor, perto só de quem vale a pena, atraindo apenas energias boas, muda tudo, novos olhos, olhares, estranhezas que sempre agradam, tudo fluindo de forma tão nova e clara, nítido contorno.

Coração tomado, de coisas minhas, sem querer dividir, ainda completando de si mesmo tudo o que pode, transbordando, tanta coisa, sem medo, é a vida que se segue, se acha, encontra a si mesma no meio do caminho, que mais bela companhia, si e si mesmo, apenas os bons e velhos amigos de sempre.

Muita coisa pra fazer, ver, ouvir e sentir, sem pressa, caminhando junto com o tempo, em seu tempo, mais tempo, tanta vida ainda por vir, de tudo um pouco, tão certa quanto o ar, passando, ventando e voando, apenas indo, comigo.

5.7.07

Respostas




Me lembrei, não sei se foi algo que vi, um estalo, é por isso, estou parada porque quero, porque precisava me lembrar, do quanto sou muito mais eu do que alguém, que a paixão é minha, é algo interno, parte de mim e não depende do outro, precisava desse tempo para me lembrar, tinha esquecido, que louca, achei o sorriso, estava dentro do coração.


Foi um tempo difícil, pois achei que depois de tudo que passou, eu precisava de alguém que fizesse toda aquela loucura, aqueles instantes, aquele furor e paixão, achei que alguém tinha que trazer de volta, esqueci que tudo aquilo sou eu, pura e simples, eu sou paixão, e óbvio que sou movida por ela, afinal, sendo eu dona de minha própria vida e movida por paixão, sou eu a própria paixão, o vento que sopra em meu rosto, sou eu quem faz ventar, são minhas as asas para voar.


Falei tantas coisas sobre caminhar junto, sobre paixão, sobre estar sozinha, e agora me pego na minha própria mentira, querendo me enganar, não preciso de nada além de mim, e quando me descobrir por completo, pois ainda não me sei de todo, então, as coisas acontecerão, se eu quiser, se eu achar que agora está bem caminhar com alguém.


As vezes eu esqueço um pouco de mim, nesses momentos é que vêm a melancolia, não é o estar sozinha, é o estar sem mim, sim, é ser a casca vazia de toda vida que me faz cheia e completa, tão cega, era só olhar no espelho, e eu tentei me avisar e mais um vez fechei os olhos.


Um estalo, algo, não sei, um brilho, meu brilho, pode parecer arrogante, não me importo, sou eu sorrindo, meus olhos, brilhando, que falta de mim dançando, cantando, que boba, procurando uma paixão que estava aqui o tempo todo, mas foi bom, é como chorar, para depois sorrir, pois só quando choramos damos valor ao sorriso, não foi isso que disse Victor Hugo?


Me perdi, para agora me encontrar, mais bela, mais forte e confiante do que antes, mais madura um pouco também, nova, querendo o mundo, cheia de vida e sangue circulando, não estou cabendo em mim, explodindo. Soltei as rédeas, correndo, dona do meu próprio destino, enfim, saudade, de mim, era eu que estava procurando, eu estava aqui o tempo todo.

BiscoitoDaSorte


Quem diria que a sorte encontrada dentro de um biscoite feito de uma fina massa de açúcar poderia me fazer pensar? "Você é o mestre de sua própria vida." Sim, sou e sabendo disso, ainda consigo rir das pequenas previsões que a vida me traz, não, não vidente, apenas conheço alguns olhos e o que estes buscam, soube naquele instante, que um novo jogo estava começando, tão óbvio quanto dois e dois são quatro, embora existam contestações a respeito, o mistério também me faria ir, traria consigo esperanças, então compreendo e já sabia o que esperar.

Não levo a mal, faria o mesmo, sem pestanejar, correria, buscaria, até desvendar e quem sabe a paixão estaria ali escondida.

Na verdade acho que fico escrevendo escrevendo escrevendo, porque têm uma coisa aqui dentro assustando, apavorando e não sei bem se quero desvendar esse mistério e o que fazer exatamente com ele. Porque, se for mesmo, não sei o que fazer, não sei se quero passar por tudo isso novamente, mas também, como passar pelo resto disso tudo sozinha, acho que é só pânico, não existe um motivo para não ser, fico tentando relembrar qualquer momento onde a coisa possa ter estourado ou falhado ou não sei e nada me ocorre pois não existe um porquê, não tem como.

Mesmo assim me falta coragem, quanto mais esperar pior é, mas também, ah não sei, preciso sair da toca, logo, agora, uma cerveja, vinte e cinco mais, esquecer de mim um pouco, rir, espairecer, falar, um amigo, é tudo o que quero, mas é só um, específico, que me faz rir, sempre fez, só isso, mas também, não quero ligar, loucura isso, acho que, nem eu me entendo.

Essa mania de me isolar, querer ligar e não fazê-lo, sou só eu? Não quero chorar, nem vontade de lágrimas, acho que é de sorrisos, de rir, é me falta um sorriso, ta meio perdido por aí, não sei onde guardei, deve estar num lugar tão óbvio, já procurei nos cantinhos, em baixo do sofá, atrás da cama, até na despensa, mas lá, só os não perecíveis, droga.

Sim, sou dona de meu próprio destino, destino é vida, é caminho, é mais que tudo, até a morte, mas quero perder um pouco das rédeas de tudo isso, deixar rolar, acontecer, sempre deu certo, e neste momento, não consigo soltar, me prendo, me agarro ao grande cavalo negro, ele empina quer ir, seguro, não deixo, o vento sopra, nuvens se formam, estou parada, não quero ficar, sem coragem de ir, para onde? Não sei mais para onde quero ir, estou perdida, admito. Me arrumo, me pinto, na porta, pronta, não vou, os pés não deixam, colados ao chão da cozinha escura, elevador abre as portas, eu volto, tranco a porta, ligo a tv, dou play, me esqueço, duas horas, e volto, mais um outro, qualquer um, não importa, é só sumir de mim, tirar férias, não ser.

Me lembro, sei quem sou, os olhos, meus olhos, me encaram, questionam, não crêem, não há resposta, a boca abre, não tenho palavras, se foram, casca vazia, sem saber de quê encher, as mãos buscam palavras, imagens, nada, nada acalma ou faz sentido, me sinto buscando algo que nem sei se perdi, nem sei o que é, uma busca sem futuro, afinal como encontrar o que não se sabe que está buscando?

Vejo alguns rostos que já conheço, fecho os olhos, não quero ver, pra não lembrar, não sei se é de coisa nova, não sei de mais nada, e quanto mais eu busco, mais pareço me perder nesse labirinto que eu mesma criei.

Quero me lembrar de coisas que não conheci, sentir novamente as coisas que nunca senti na vida, reviver momentos nunca antes vividos, estranho dizer isto? Creio que vindo de mim, não, não é estranho, na verdade seria estranho se eu não dissesse essas palavras, quero algo novo todos os dias, quero me sentir nova a cada manhã, a rotina me cansa, me mata, consome, tritura, envenena, não é de mim entende?

Algumas rotinas me cabem, não me são estranhas, como entrar numa sala de aula todos os dias, ver os sorrisos, as piadas, as brigas, as travessuras que me deixam doida, entrar na sala, ligar o som, olhar nos olhos dos pequenos e dizer, ok, vamos lá, não, essa rotina não me atordoa, pelo contrário, me foca, me estrutura. É um momento na vida em que me centro, mais ou menos, afinal, não me considero mesmo muito tradicional em minhas aulas, mas acho que no espaço artístico, posso me dar a este pequeno luxo não é mesmo?

Enfim, voltando ao assunto, rotina, a rotina de fora não me cabe, não entre, não combina, nem encaixa, quero mais da vida, muito muito mais, acho que consigo, na medida do possível conviver com uma certa rotina, mais ou menos sem surtar, mas acho que vou acabar entrando em colapso se algo não me fizer tremer em breve.

Dá uma certa depressão, até que é gostoso, ficar em casa vendo filmes, eu sorrio, choro com finais melosos, e pequenas declarações de amor, pessoas andando de mãos dadas, beijos roubados, paixões que dão tudo errado para depois dar tudo certo, sim, as malditas comédias românticas, confesso, as adoro, tanto, que algumas já vi bem mais de três vezes, gosto porque fala de paixões impossíveis, pequenos contos de fada que parecem inacreditáveis, mas garanto, meu querido leitor, eles existem sim, é possível e é real. Mas em minha defesa, antes de continuar com minha tese sobre filmes melosos, amores possíveis (sim, é nome de filme), choro, rotina, calmaria e paixão, quero dizer que assisto também outros tipos mais refinados de cinema, de uma beleza sutil, que falam de mil outras coisas, principalmente a dura vida real, esses me fazem pensar um pouco mais e sonhar um pouco menos, então, definitivamente, não servem para esses momentos onde quero mais uma vez acreditar em paixão.

Voltando, mais uma vez de outro devaneio, e acredite, tenho muitos, paixão, ah, a paixão, essa coisa que começa num friozinho na barriga e vai crescendo e tomando conta, é a boca que seca, os lábios adormecem e parece que um abraço não cabe em si, é o querer entrar dentro do outro, de tão perto que se quer estar, olhar nos olhos e saber o que há lá dentro, mas veja bem, não é querer ser parte do outro ou achar que encontrou uma outra metade, pois acredito que somos já completos, o outro é apenas alguém para caminhar, lado a lado, enquanto tiver que durar, é o rir junto, chorar, berrar, gritar, quebrar copos, chorar, abraçar, fazer as pazes, ah a paixão, essa palavrinha tão pequena que me move, sim, me move, me alimenta, me toma, me leva, quero mais.

Acontece que em mais um momento ambíguo de minha vida, quero paixão, mas ao mesmo tempo, me dá uma certa preguiça de sair por aí olhando para os lados, vendo gente estranha, a grande verdade é que embora queira essa paixão, quero também que ela bata à minha porta, me dê um grande tapa na cara e diga, olha, estou aqui, não quero mais ter que procurar, sei que está por aqui, em algum lugar ao alcance das mãos, mas também não sei se pretendo esticar meu braço e tocá-la.

Acho que é isso, um tanto cansada dessa busca pelo que me alimenta, sei que eventualmente isso passa, e sairei da toca novamente, neste momento, não quero, embora queira, as vezes o telefone toca, eu atendo, mas sei que não sairei, saí esses dias, apenas para cumprir pequenas obrigações diárias, voltava para casa, correndo, tão rápido quanto podia, logo mais estarei longe, férias merecidas, naquele lugar só meu onde sempre me refugiei, alguns talvez saibam de onde falo, para os que não sabem, desculpem-me, não contarei, talvez atenda alguns telefonemas, procure algum lugar onde postar, talvez não.

Como a fênix, acho que algumas vezes preciso renascer, para isso, creio ser preciso estar só, pensar, criar, chorar, beber, dormir, talvez algo aconteça, tenho que contar um segredo, receberia alguém para um jantar, um bom vinho, música e água, lua e estrela, mas não contarei que sim, não convidarei ou talvez até convide entre linhas, ou não também, pois se bem me conheço e convidasse, acabaria esperando e não quero mais esperar por ninguém, já é tarde, e preciso me recolher.

Tem uma música, linda que diz assim, me dê uma razão para ficar aqui e eu darei meia-volta, talvez a tradução esteja um tanto esdrúxula, mas é da Tracy Chapman, chama Give Me One Reason, já devo ter ouvido um milhão de vezes, algumas chorando, outras sorrindo e mais um tanto cantando tão alto que nem podia ouvir. Mas acho que fala um pouco disso, de estar cansada, tão cansada de tudo, que se vai embora, mas uma razão, um pequeno motivo, pode me fazer voltar, ficar.

Mas neste momento só quero ir.

4.7.07


Silêncio, calmaria, nem nada a dizer, cabeça anda meio vazia demais da conta, coração ainda pulsa, seu eco faz vibrar o corpo leve, sem mais movimentos, inerte, sonhando com um filme todo em branco, cabeça encostada, sono, olhos fechando, bocejos, nada, sem sentir nada, estranho.

Sem saudade, nem falta nem tem, é essa a paz de que as pessoas falam? Não estou triste, nem feliz, só assim, meio sem nada, não sei se gosto ou desgosto, é novo, acho que talvez um incomodo, é, pode ser isso, não quero gritar, nem sussurrar palavras, acho que falta um pouco de paixão, de tempestade e tormenta, ondas batendo, vento soprando, fazendo tudo ao redor voar, mas o céu hoje acordou claro, tons amarelados, não venta, mas faz frio, não ligo, não me importo, meio inerte mesmo, como flutuando e mar aberto, sem ondas, sem peixes, apenas o som da respiração, ar dentro, ar fora, mais nada, silêncio.

Aumento o volume do rádio, está abafado, ou sou eu? Vozes ao longe, nem me esforço para ouvir melhor, vou seguindo sem pressa, o dia demora a passar, nada para fazer, nem filmes, mas filmes me fazem sorrir ainda, acendem algo dentro, mas acaba, tão logo subam os letreiros, falta uma luz, talvez, ou não, nem sei.

É como estar e não estar ao mesmo tempo, fazer parte sem prestar atenção, meio zumbi, nada parece se mover também, nem vontade, em câmera lenta, rodando rodando, tão lento que nem me sinto tonta.

Parece que está tudo atrasado mas também sem pressa de chegar, falta algo que me faça querer mover, não quero procurar também, aí fico, aqui parada neste lugar que não sei onde é, olhando para os lados, sem vontade de nada, respiro fundo, olho em volta, inúmeros caminhos, nada que me faça querer correr.

3.7.07


Momentos com gosto conhecido, no entanto tão novos quanto a brisa que bate em meu rosto, são novas chances que nos demos, e que talvez dessa vez, só neste momento algo aconteça, naquele momento, sim fiz uma escolha, mas por acreditar que era preciso, que era necessário naquele momento colocar a casa em ordem, para deixar que algo novo aconteça, fechar uma porta e abrir essa janela, não me importa se serão apenas alguns momentos, ou não, estou gostando disso, entre linhas, falando sem dizer.

Algumas vezes, leio coisas e acredito que possa haver algo nelas para mim, bobagem não? nem tanto, leio mesmo assim e interpreto da maneira que me cabe interpretar, não importa que não sejam, mesmo se forem, não são nas coisas lidas, são as palavras, foi a atitude, quero mais disso, o que for necessário, o tempo que for preciso...enquanto durar esse infinito.

Perceba que entre as linhas e vírgulas do que digo, não me importo com o tempo, nem se for durar, que seja apenas um passeio sob a lua, de mãos dadas, em silêncio, me basta, não tenho mais pressa, é o calor dos momentos divididos que estou alimentando, se tiver que ser fogo, que incendeie, mas não importa, pois se não for, mesmo assim vale cada momento.

Vou gostar de continuar te pedindo opiniões e fazendo tudo ao contrário, de ver como você sorri quando faço isso, de ver que você entende quando tomo a decisão certa mesmo que o coração fique apertado com vontade de estar com você, ainda quero, nem que seja por pouco tempo, e fico feliz.

Não sei tudo que quero dizer, nem sei também se tenho muito a dizer, estou calma, e isso pra mim é muito estranho, muito novo, e está tudo bem, seja como for.


Instantes


Foi um milésimo de segundo, um instante, entre tantos outros, deveria voltar? Voltar a ser quem fui em outro momento, será que seria mesmo preciso?

Errado, errado, tão errado que até dói, mas tão bom, e pensei, esqueci e pensei novamente, esqueci, estou pensando agora, na verdade, não estou pensando, sentindo talvez? Espero que não, realmente, não, é errado, tão errado, instintivo? Por que não lá atrás? Agora, não mais, embora, não, não posso, não devo e não vou, mas sim, quero, lá no fundo, nem tão fundo, merda, não, não por quem seria, não por quem estaria envolvido, merda, mas sim, penso, sinto, quero, um pouco, nem tão grande assim que a razão não apague, não neblina, mas sim, faria, nem por tanto tempo assim, pois não seria, não me passa algo que seja eterno, nem o quanto dure, talvez o erro, da imagem, do pensamento, de tudo, são momentos, errados, não estou lá, já fui, era, não mais, vou correr, ou não, sim, vou, longe, não posso, não faria, por tudo, pela amizade, mas quero, mas não, não dá, é muito forte, qual?

Ambos, desejo, apenas, apenas isso, um desejo, são tantos, esse passará, como tantos outros, natural, faz parte, instintivo? Falamos sobre isso, e pensando nisso, o que seria realmente correto nesta vida?

O que fazer, não é? Errado, certo, entraria de penetra nesta festa que não me pertence, que não me cabe nem comporta, já foi esta fase, embora algo ainda me chame, não é mais do que já foi, agora percebo, e mais do que ego, menos que desejo, é apenas o olhar, algo novo que penetra, entra, modifica, ainda mais depois de saber que, deixa, não quero, não vou, não faria, não...

Mas que fique algo, de bom, um gosto do que não foi, nem será, foi-se o tempo, passado, não volta, talvez, os ses novamente, não existem, e quem sabe mais mil coisas, mas não disso, outras passadas disso, de novas, confusa, mas certa, do que deve e não...