12.11.13

3.3


Todo aniversário eu costumava acordar e pensar, o que mudou? E na verdade, nunca nada mudava, continuava tudo igual ao dia anterior, mas ontem, mudou. Mudou, simples assim, eu acordei sabendo que estava diferente, nova, renovada, pronta para uma vida novinha em folha... Ops, nem tão novinha assim, né?! A mesma eu, mas diferente, mais consciente de mim, com menos medo de errar, com mais disposição para curtir as coisas pequenas e lindas da vida, com menos vergonha de pedir desculpas, com mais coragem de sentar sozinha no bar,  com mais sorrisos para distribuir, com mais fôlego para cantar bem alto, mas isso é pouco, é pequeno perto da coisa mais bacana que descobri, na verdade não descobri, vamos falar sério, a verdade é que assimilei, eis aí a diferença, assimilar, ter para si, é diferente, bem diferente de só saber e não fazer nada à respeito...
Ai que suspense, eu me dei conta que a minha felicidade reside em mim, que ter um outro alguém é agregar valor, ter pessoas com quem voar junto é bom, é gostoso e tem aqueles dias (se é que vocês me entendem...) que é necessário um outro alguém, mas para ser feliz, não!
Para ser feliz basta a gente mesmo, para ser feliz, é preciso ser feliz com a gente mesmo, é preciso se bastar. Eu ontem acordei me bastando, acordei feliz dentro do meu corpo, acordei agradecendo à Deus por tudo, acordei sabendo que tenho muita gente bacana na minha vida que me faz ser mais feliz, mas que minha felicidade depende de mim. Acordei sabendo que se algum dia eu encontrar um outro alguém, vai ser para multiplicar felicidade, multiplicar sorrisos, multiplicar risadas, multiplicar prazer, enfim para multiplicar vida, porque, pensa comigo, vivemos dizendo que precisamos de alguém para dividir a vida... porra, dividir???? Dividir é pegar o que se tem e porcionar em frações menores... Não quero dividir, quero multiplicar, quero no mínimo somar, dividir nunca mais, sou eu inteira, quer? vamos somar, vamos multiplicar, vamos muito mais que essa porcaria de dividir, sou inteira, vida, pulsante, sedenta, sorrindo, sou mais eu de novo, parei dessa coisa besta de dividir...
Não pense que estou dando uma de mulher independente que não precisa de homem, que se basta sozinha, quero um homem sim, quero beijos, afagos, colos, sexo, suor, lágrimas, abraços, quero muito, mas não preciso de um homem para ser inteira, não sou metade de uma laranja, sou uma laranja inteira!!!
Sou pássaro verde voando, inteiro, completo, sorrindo, quem quiser voar comigo será sempre bem vindo, multiplicando sorrisos, multiplicando a vida, multiplicando...

9.11.13


Um passo à frente, dois passinhos para o lado e três para trás, numa dança sem pé nem cabeça que eu nem sei se queria dançar...
E eu tento escapar, fugir, voar, e os olhos que me puxam de volta, tão negros quanto a noite escura, escondendo segredos, não revelando nada além do próprio desejo de olhar, e a nuca arrepia com a mera lembrança....
Mãos e braços que me tiram do chão, me carregam, querendo ir, querendo ficar.... Sem saber o que há depois da curva...
Eu devia estar me divertindo, estou achando que envelheci, não sei se ainda quero só diversão, estou ficando como aquele cartesiano de merda que eu tanto julguei? Querando tudo certinho, muito amorzinho e pouco fogo? Não me reconheço assim, quero sorrisos, abraços, fogo e paixão, pernas, braços, beijos... Cabelos, suor, suspiros, dentes, dedos.... 
Acho que o que me incomoda é não saber que jogo estou jogando, será que existe um jogo? O que será que é isso? Na verdade, acho que não quero me sentir só mais uma, quero mais, muito mais, tanto mais quanto poderia querer, mas não sei onde meus pés descalços estão pisando....
Me irrita me ver adolescente pensando, tentando imaginar o que poderia fazer, o que devo fazer.... 
No fundo, acho que devia mesmo era só deixar o vento me levar....
Voltar a ser eu e não me preocupar, dançar conforme o ritmo da minha música, sem me preocupar com o que toca na vitrola da vida, foda-se, sou mais eu assim, feliz, sorrindo, cercada de novos amigos, rindo bebendo curtindo e o que for dessa vida será, hoje, amanhã, aqui ou em qualquer outro lugar, vou voltar a trilhar meu caminho, vou seguir sorrindo, chorando, gritando e cantando, vou correr, andar, voar, bater minhas asas no mundo ir pra onde o vento tiver que me levar, pro sul, pro norte, pro leste, voltando pro sul e correndo para oeste, vou brincar com a rosa dos ventos e deixar tonto um observador atento, ahhhh que a vida me leve, que o destino me cace, e se esse pássaro de asas negras que por instantes cruza meu voo, me arrepia a alma, me faz sorrir, quiser voar comigo, será bem vindo, amigo, amante, monstro e herói. Do jeito que for, como a vida escolher, vou seguir meu caminho, me acompanhe, se puder....

6.11.13

CaminhosPassosESolidão


Caminhos, passos e solidão, só a minha respiração aqui dentro, no peito, as vezes arfando, noutras engasgando, suspirando, inspirando, precisando de algo mais que ar.
Cama vazia, olhos tristes, tem dias que p choro vem até fazer visita, olho pro lado, procuro um consolo, uma mão adulta que guie os passos vacilantes da eu menina.... Mas não existe nenhuma mão, apenas meus dedos sem luva, tateando no escuro, buscando uma vela para iluminar o caminho à frente, parece que a escuridão chega cada vez mais perto, onde antes havia um vislumbre de vida, agora apenas um negro temor do que será...
Andorinhas voam na janela, anunciando um verão que tarda a chegar, está frio, tão frio quanto poderia estar. E na cama vazia, os pés gelados procuram algo para aquecer, não há.
Tem dias que é assim, mas apesar de tudo é calmaria, coração vai bem, está se costurando, como sempre, agora me parece que se cura mais rápido do que antes, acho que a idade trouxe também maturidade emocional, será?
Hoje nem lá nem cá, vou aumentar o som e tentar dançar...

5.11.13

EntreOsDedos


Estou escorrendo entre os dedos, parecendo areia fina, indo, indo, indo, caindo, espalhando, fugindo...

A certeza de me ter foi o que atrapalhou tudo, era tão certo como dois e dois são quatro.... em que mundo mesmo, dois e dois são quatro? Porque, olha, no meu mundo, dois e dois é uma infinidade de números e respostas, pior ainda quando é um mais um, um mais um complica a vida as vezes, uma mais um, são dois cheios de pensamentos, desejos, caminhos, vontades... e se caminharem para lados opostos? E se mentiras atrapalharem os passos, e se desejos cruzados, cruzarem o centro e despertarem os olhos? E se um e um de repente viram três? E se um e um, de repente viram quatro? Como chama isso? Se enganam as mentes que já pensam e suruba, eu penso em família, olha como eu mudei... Penso em família... Palavrinha gozada, família, do que é familiar, do que eu conheço... Conheço? mas assim, conheço mesmo? Me assombro, não sei, tem dias assim, cheios das incertezas mais certas, da verdades mais mentidas, dos desejos mais contidos...

E olha eu aqui divagando de novo, falando de tanta coisa, sem falar de nenhuma específica, cá estou eu, de novo, jogando palavras, esperando ser lida nas entrelinhas das minhas verdades, procurando enxergar um bocadinho ali na frente do meu novo caminho, o que me espera atrás da curva...

Agora os dedos correm, os sentimento mais uma vez virando palavras, as dúvidas, transformadas em linhas, e eu aqui sentada, olhando o dia clarear, tá nublado lá fora, frio, úmido... Prefiro os dias de sol forte, janelas abertas, pássaros voando e eu sonhando. Dias de chuva, são pura melancolia. 

Me sinto assim mesmo, como o tempo, mudando, instável, e pobre de você meteorologista tolo, pobre de você que penso poder prever a instabilidade da mãe natureza...

Sou assim como o tempo, tem horas que chovo no meio do dia, mas logo logo faço sol e redemoinhos de ventos, lambendo cabelos, levantando folhas, então esfrio, o com o vento frio um arrepio, transformo, mudo, sol com chuva, chuva e sol, arco-íris no caminho, entre as lágrimas salgadas de tudo o que estou deixando para trás, o velho o novo, indo, indo... escorrendo entre os dedos feito areia fina, daquela bonita, das garrafas coloridas, compradas numa viagem linda num feriado de sol...

Cá estou eu, misturando cores, levando sonhos, desmanchando as dores...

Indo.

Respiro fundo, me calo, inspiro, pergunto.... eu voltaria? Eu ficaria? Eu me pergunto, e você, o que faria? Me guardaria numa redoma de vidro? Me jogaria pro alto? Me poria num aquário? O que você faria?

Estou indo, feito areia fina, nem sei mais se ainda é possível fechar os dedos, se ainda há um grão entre os dedos, não sei, me sinto no vento, jogada, arremessada, voando... estou no vento e nem sei se ainda há tempo de me resgatar de novo...

4.11.13

DesejosSonhosRealidadeEImaginação



E cá estou, uns brancos a mais, uns dentes a menos, juízo imperfeito... Cá estou eu novamente do jeito que já estive um dia, será que não aprendo a lição, ou sou mesmo tão apaixonada pelos altos e baixo da vida que vira e mexe me jogo do precipício sem rede de segurança, sem fundo a vista, apenas para bater as asas no último segundo, no instante que precederia a morte, apenas para me sentir viva de novo...
Cá estou eu, mãos sem luvas, pés descalços, cabelo ao vento, sorrindo, chorando e indo. Cantando, gritando e sorrindo. Cá estou eu, coração na boca, peito vazio, procurando, querendo esperando encontrar no outro o que falta em mim... Falta? Falta mesmo? Ou é tudo ilusão? Falta mesmo ou é só religião? Falta mesmo ou é só tesão?
São as muletas que usamos diariamente para seguir em frente, são os artifícios usados para não desmoronar...
Cá estou eu, mais uma vez, trancada no banheiro, cantando alto em frente ao espelho, todas as letras que eu sei e as que eu também não sei, cá estou eu berrando no quarto gritando bem alto, dançando e pulando, jogando o cabelo, pondo para fora toda vida há dentro, trocando palavras por melodias, reafirmando tudo aquilo que sinto e que as vezes desacredito...
Cá estou eu relendo todos os textos, relendo e relembrando tudo aquilo que já passei, cá estou eu me vendo de novo com a mala na mão, os pés na porta, cá estou eu, de novo, dizendo adeus, voando pra sabe-se lá Deus onde, cá estou eu de novo, jogando todo para o alto, querendo sentir paixão, sentindo paixão, sentindo ódio, sentindo usada, sentindo sozinha, sentindo feliz, sentindo triste, sentindo e ponto.  Estou novamente com os pés na rua, indo rumo ao desconhecido, amedrontadamente feliz e corajosamente triste, cá estou eu, do único jeito que sei ser, sem certo ou errado, aos tropeços, cá estou eu, escrevendo e apagando tudo o que sinto, oensando e voltando atrás, me sentindo tão eu que as vezes me parece até demais.
Pois é, estou aqui de novo, escondendo o que sinto no meio das vírgulas, tentando buscar nas minhas próprias entrelinhas a explicação de quem eu sou. Me olho no espelho, gosto mais dessa eu mais  velha, admiro as rugas, o olhar maduro, a confiança, mas confesso, ainda me sinto meio menina,  perdida, jogada, largada, abandonada, fugida, amada, querida, odiada, incompreendida... Menina. Cá estou eu, uma mulher de mais de trinta, com sentimentos de menina....

2.11.13



Ah, eu e as palavras, esse regurgitar de sentimentos contidos no peito, no corpo, na alma... cá estou eu as voltas com minha palavras, com esses suspiros que tento traduzir em letras....
Hoje acordei e não consegui sair da cama, fiquei ali, sentindo, rodando para lá e para cá, desejando coisas que nem sei o que são, fiquei ali, deixando o corpo sucumbir a tudo, suspiros, doces lembranças, apenas, desejos, contidos, guardados, trancafiados... esperando.
Essa espera é o pior de tudo, esperar, esperar, esperar, o primeiro passo já foi dado, agora é uma questão de tempo, ó lá, já estou cá eu de novo as voltas com o tempo, quem disse que com a idade vem a paciência mentiu, tá?! Não, não vem a paciência, vem o bom senso, mas a paciência, não. 
Ainda desejo tudo com a mesma ânsia que desejava sete anos atrás quando esse diário cibernético surgiu, ainda desejo tudo com todos os poros do corpo,  ainda quero tudo agora, tudo já, ainda me vejo mergulhando de cabeça em tudo o que sinto, com a única diferença que agora eu penso antes, é, admito, penso antes, será que estou virando uma cartesiana chata e pensadora???? Espero que não, gosto da eu selvagem, da que faz e pronto tá feito, agora vamos recolher os cacos e partir para outra! Já recolhi tantos cacos na vida... nem ligo, vou seguindo assim, toda remendada, sorrindo, amando, olhando o mundo com olhos cada dia mais cheios de .... de quê? De histórias? De vida? De luz? De certezas? De quê exatamente estariam cheios meus olhos? Acho que é de sonhos, definitivamente, de sonhos...
Os novos sonhos podem te parecer assim, meio piegas, mas ando sonhando com uma família, ando sonhando com risos de crianças, ando sonhando com um companheiro, ando sonhando com uma vida um pouco diferente, não ponha na sua imaginação uma família piegas de subúrbio americano, não!!!! Minha família, é do meu jeitinho, sim, o sonho é meu e eu sonho do jeito que eu quiser... mas é assim, crianças na praia (já contei que me mudei para a praia? mudei, sim, eu, garota cosmopolita, amante da noite paulista, estou na praia, amando cada instante, mas vamos deixar isso para outro post, porque, como sempre, estou divagando e fugindo do assunto...) um menino que já vai crescer de prancha nos pés, cabelo assim, comprido, cheio de marra meu menino, colado no pai, acho que vem uma euzinha também, amante da arte, da vida, da natureza, um casal, é um casal, quero ficar aqui mesmo nessa casa na montanha, quintalzão, pertinho da cachoeiras de minha mãe Oxalá, meus rebentos vão crescer sem muita frescura, pés descalços, mão na terra, com cachorros e gatos, terão eles o nosso brilho no olhar? Nosso? Nosso? Ato falho? Ato falho. fica, deixa, Freud explica...
Então, minha vida anda assim, agora, sete anos mais velha, com mais histórias que dentes para contar (piadinha interna, acabei de tirar o penúltimo siso, me sinto meio banguela....) com mais anos que dedos (de pés e mãos..), com um ou outro fio de cabelo branco (pois é, abafa o caso...) mas ainda com muito desejo, ainda com muito sarcasmo, ainda com muito sorriso de lado, ainda tão cheia de vida que poderia explodir...
Mas é assim, a vida vai caminhando, cedo ou tarde o sonhos se realizam, precisava primeiro fugir, precisava primeiro ter a coragem de abrir a portinha e sair, lá vou eu, de novo, voando alto, dessa vez perto do mar, onde vou construir meu ninho, onde encontrei minha vida, lá vou eu voando alto, lá vou eu, me deseje sorte...

31.10.13

ViníciusEEu

Aí, estava eu vendo o documentário da vida de Vinícius de Moraes, aí ouço assim, Vinícius precisava de paixão para alimentar sua poesia, quando a paixão acabava, ele sofria, procurava uma nova paixão, obviamente que aquilo caiu como um pedra na minha cabeça! Meu Deus, EU TAMBÉM, eu também preciso da paixão na minha vida, preciso do coração batendo forte, PRECISO!!!! 
Mas espere, eu não disse por quem... Aí, que agora no auge dos meus trinta e muito poucos descobri, minha paixão não deve residir no outro, minha paixão mora em mim, é por mim que devo me apaixonar todos os dias de manhã, é para a minha felicidade que devo fazer juras de amor eterno antes de deitar, é pelo meu sorriso maroto que devo me encantar toda vez que pensamentos marotos passam pela minha cabeça, é no fundo dos meus olhos que devo me perder... E quando um dia, pintar um outro alguém na minha vida, que eu saiba bem o lugar que ocupo na minha vida!
Então correndo o risco de não ter modéstia alguma, eu diria que sou uma mulher FODA, que tenho um puta orgulho da profissional que sou, mais que isso, amo o que faço e faço por prazer, além do mais, outros adjetivos não me faltam, sou leve e densa ao mesmo tempo, sou intensa, amo com todo o corpo, amo com a alma, amo de peito aberto, ahhhhh hoje estou tão cheia de mim que estou me achando até metida demais....
Mas hoje, por hoje, eu posso, hoje eu me lembrei de mim, daquela menina que eu tanto amo, aquela que já virou mulher, mas ainda dança no banheiro, canta pro espelho, ri quando erra a letra, passa a tesoura na juba e se sente dona do mundo, seja bem vinda, velha amiga, você fez falta, estava adormecida não é mesmo?! Agora somos de novo eu e você no mundo, procurando por algo que nem sabemos se existe, somos nós caminhando sem luvas, sem máscaras, sorrindo, cabelos ao vento, sorriso nos lábios e a sensação de pertencer ao mundo e ao mesmo tempo te-lô entre os dedos! Seja bem vinda de volta à minha vida Eu, que falta que você me fez...
Hoje eu me reapaixonei por mim, foi assim, sem aviso, no portão de casa, tomando chuva, eu me toquei, eu acordei, eu recordei, eu me lembrei de mim, de quem eu sou, meu coração saltou, hoje eu descobri em mim o que procurava no outro, estava em mim, aqui o tempo todo!
Hoje estou terrível, hoje estou eu eu eu eu! E quer saber, nem ligo, hoje eu sei a mulher que sou, e se um dia eu cruzar o teu caminho e você me perder por bobeira, azar o seu, não meu!