6.6.07

Consciente


Hoje mais consciente que ontem, do que sinto, senti e continuarei sentindo falta, não é da história, são os gestos, não das das mentiras, são das promessas (não realizadas, mas promessas), não é dos olhos, mas das palavras, não é do sexo, mas dos momentos, não é do homem, mas de sua idealização. Construí um castelo de nuvens, escrevi uma história em meus pensamentos, e dela se materializou você, perfeito em todos os seus defeitos, lindo em toda sua simplicidade, verdadeiros entre todas as mentiras, eu vivi um lindo conto-de-fadas, com você, e só poderia ser assim, para acordar mais consciente, saber mais de mim, e do que quero e de como vivo.

Foram sonhos realizados, destroçados porém vividos, e como viver sem viver isso, sem passar por isso, foram belos momentos, vislumbres reais de sonhos não realizados plenamente. Entendo que estou sendo redundante, mas cada dia me sinto mais consciente disso tudo, e não é triste, não sinto dor, estou bem, feliz por ter acabado, pois poderíamos ter caído num lugar comum e seria muito infeliz, pois essa bela história deve ser guardada assim, por ter sido intensa, por ter sido vivida, e única.

Sabíamos que seria assim, rápido, veloz, sem tempo, momentos de uma vida vividos em poucos instantes. Bom, fugaz, acabou, que bom, não poderia ter sido diferente, foi o que veio para ser.

Hoje mais consciente, amanhã ainda mais.

EraUmaVezUmOutroLado


Era uma vez o outro lado da história da mocinha, aliás queridos leitores, que lapso, esqueci-me de dizer seu nome, na verdade me esqueci, chamaremos então, a pequena menina-mulher de Fiona, é, é um bom nome não é mesmo? Mas podem mudar se quiserem, o que é um nome afinal, diante da história de um vida...

Acontece que nossa mocinha, quer dizer, Fiona, enquanto andava, após fugir do grande lobinho mau, descobriu que ela própria havia sido uma menina má, muito, muito má, pois assim como o lobinho usou Fiona pois queria mudar sua vida, se transformar em algo, não melhor, nem pior, apenas diferente, vejam bem, o lobinho queria também viver aventuras, tentar algo novo, mesmo que fosse por pouco tempo, para tanto, precisava de alguém que o mostrasse como. Já a pequena Fiona, buscava realizar mais um de seus sonhos, queria um companheiro de viagem, queria caminhar junto, e quem melhor do que alguém totalmente diferente dela, se fosse igual, não teria graça e não aprenderia nada, ela escolheu o lobinho, mesmo sabendo que talvez um dia se cansaria dele e continuaria sozinha sua jornada, mesmo sabendo que o lobinho também poderia voltar atrás, mas algo mágico aconteceu entre, algo que Fiona não poderia nunca imaginar, ela se apaixonou realmente pelo pobre lobinho, e se esqueceu de não acreditar nas doces palavras de seda do lobo. Acontece querido leitor, que Fiona mantinha um diário de viagem, o lobinho, sabendo de tal presente, leu Fiona, não apenas suas palavras, mas leu também em seus olhos, reflexos puros de sua alma transparente, e usou desse artifício para conquistar o coração que queria ser conquistado de Fiona. Este talvez tenha sido o único e maior erro do lobo, pois se antes tivesse sido diferente, se o lobinho fosse honesto e dissesse que de nossa mocinha só queria a companhia momentânea, que nenhuma promessa seria feita ao vento, pois promessas, aprendeu agora nossa mocinha, são apenas previsões de atos que não se realizarão, se, o belo lobinho abrisse realmente o coração, ainda teria o coração de nossa Fiona, ela ainda estaria lá, como esteve desde o começo. Mas também, o lobo não sabia, e jogou, sujo mas jogou. Estou eu aqui falando apenas mal do lobo, não é assim também, já contei que nossa querida Fiona, sabia ser o lobo um lobo e não um cordeiro, ela fez tudo o que fez porque quis, usou o lobo também, jogou também, com outras fichas, mas jogou, ela queria se satisfazer, e conseguiu, estava cansada de andar sozinha e queria também sentir um cheiro novo, para isso, usou o lobinho, mergulhou com ele num mundo novo e viveu.

Moral da história, meus amigos, não há moral nessa história que ainda não chegou ao fim, nossa mocinha, a bela Fiona, agora caminha, sabendo mais, querendo muito, muito mais, está mais confiante, mais forte e na próxima aventura, quem sabe, não realize outros sonhos?

DoisMundos


Hmmmm, hoje descobri, nos usamos, cada um a seu modo, por seu próprio propósito, fomos ambos bonecos, meras marionetes, sem o próprio saber de o ser e do próprio saber de o fazer, fomos usados, eu e você, usamos, eu e você, cada um à seu modo, fomos e seremos, engraçado isso, real, verdadeiro demais, nenhum perdedor sem ganhador, engraçado demais... Você, por querer algo que anda não sabes explicar, eu por querer, desejar tanto algo, que me fiz acreditar, bonecos, eu e você, fantoches usados, sem saber de o ser e de fazer.

Fomos o que deveríamos ter sido, fomos, e digo agora, com orgulho, fui e fiz, fui e foi bom, em mil diferentes aspectos e lavarei, memória, aprendizado e glória, farei desenhos com carvão, escreverei nossa história, pois agora entendo, compreendo, que fiz para nós, o presente de tudo isso, o futuro, hahaha, não ligo, hoje, não quero, mas o futuro, só rindo, por saber do que será, e sei, mas hoje, que bom, se foi e deixou, o que deveria ter deixado...

5.6.07

EraUmaVez


Era uma vez uma linda garotinha, com sede de descobertas, curiosa que só ela, fuçava, olhava, sentia, corria e brincava, não tinha medo de nada, mas mesmo assim, as vezes, dormia com as luzes acesas, só para garantir que nenhum monstro a importunasse durante os sonhos, a garotinha foi crescendo, se transformando em mulher, ainda curiosa, ainda dormindo de luz acesa, mas agora, sabia mais, sabia do tempo e de todos os seus segredos, tinha sede de vida, mas tinha mais, tinha sonhos, cada vez maiores, nenhum obstáculo era grande demais, adorava os desafios se fosse fácil, ela logo se cansava.

Um dia, entre o ser menina e ser mulher, fugiu de casa, queria descobrir o mundo, ver pessoas, durante suas andanças, conheceu muita gente, as pessoas a intrigavam, era apaixonada por gente, dos mais diferentes tipos, e olha, querido leitor, existem muitos, incontáveis tipos, não apenas em seus estereótipos, mas também por dentro, tem também aqueles, aqueles muitos que são de um tipo e fingem ser de outro, esses nossa garotinha gostava muita, os chamava de lobos em pele de cordeiro, acontece que esta garota era muito, muito esperta e sempre via por trás das fantasias usadas, ela achava muito graça em tudo isso, pois essa gente que andava pela rua fantasiada não se dava conta da fantasia, incorporava os personagens, tinha dias que a bela menina se sentava no chão e ria tanto, mas tanto que as lágrimas rolavam de seus belos olhos puxados. Ela se contorcia de tanto rir, colocava as mãos na barriga e se dobrava sobre o próprio corpo.

Acontece que um dia, numa nova cidade, ela conheceu um desse cordeirinhos, e embora soubesse ser ele realmente um lobo, se deixou levar, e nesse meio tempo ela ficou confusa, pois os olhos do lobinho eram na verdade muito brilhantes e vivos, ela não sabia se acreditava no pobre lobinho, cheio de promessas ou no que seus olhos viam, então, pobre mocinha, ela mesmo colocou uma fantasia, e acreditou no lobinho, mentiu para si mesma, então, numa bela noite de lua cheia, o lobinho mostrou os dentes, colocou as garras para fora, a mocinha aterrorizada gritou, gemeu e chorou, mas correu, deixando para trás apenas a fantasia que usava para acreditar no lobo.

Ela ficou um tanto assustada, chorou bastante naquela noite, acuada numa caverna escura, no dia seguinte, continuou ali escondida, com medo, confusa, o lobo, apesar de ser lobo e dela saber do ser lobo do lobo, acreditou que ele pudesse mudar, por ela, e ser melhor, mas ele era um lobo, com natureza de lobo, embora seu espírito ansiasse por mudar, sua natureza falou mais forte, e ele tentou comer a garotinha.

Na manhã do terceiro dia, a garotinha acordou e tinha companhia, pássaros e borboletas, um urso, um veado, um gato, um coelho e muitos outros, ela não tinha mais medo, nem mesmo do lobinho, ela achava que tinha feito por ele tudo o que podia, até colocou sua vidas em suas mãos, sem se importar com o perigo que ela própria corria. Ela não queria mais ver o lobinho, mas não o desejava mal, apenas não ligava mais, não tinha medo, nem raiva, nem mágoa, sentia pelo lobo mau, por não saber ou não conseguir ser o que no fundo sempre quis.

A nossa mocinha pegou suas coisas, sua pequena malinha e continuou sua jornada, saltitando, cantando, querendo ainda o mundo descobrir.

PalavrasJogadas


E saia como for esse instinto do puro escrever, sem pretexto, sem medo, sem nada, dizer palavras expressar coisas, nem sei exatamente o quê, só falar, coisas desconexas sem sentido algum de usar, apenas pelo prazer de ver escrito, nada mais, nem um pio, silêncio bruto, escrito sem sentido, nada de vazio, apenas palavras, tão belas essas palavras que falam tanto e não dizem nada, uma loucura instaurada, exaurida, assim mesmo, desse jeito non sense, palavras que significam tanto que querem dizer tanto sem nada para dizer, beijos, carícias, palavras que soam, nada, nada de mais, só escrevendo, sem querer parar, não pensando, em nada em particular, não estou correndo, estou parada deixando as palavras soarem como bem quiserem, sem querer rimar mas já da rima me apossando, gozado como as coisas parecem vir certas, tá tudo meio assim mesmo, mas é bom, infinito, infinitivo, é bom, sem fim, sem ter que ter fim ou meio porque não teve nem começo, poderia parar aqui, agora, sem maiores explicações, pois afinal de contas são só palavras numa tela, sem querer fazer pensar, ou significar, fique como ficar, são apenas palavras, jogando, jogadas, letras confundidas, juntadas sem fazer sentir nada.


Tão rápido como veio se foi, hoje o vento doce entrou pela janela, despertei de belos sonhos, deixei a luz invadir o apartamento, está cheio de vida, o tempo urge, pressa de viver, não há mais tempo para sentir dor, já se foi, meu brilho acordou comigo, o sorriso despertou logo depois, e a alma bateu à porta, tomamos café juntas, conversamos, rimos do que se foi, passou, e se já não se encontra aqui, não há motivo para lágrimas, as gotas de vidro que adornam meu pescoço são os restos mortais do amor que já morreu, das lágrimas que limparam o rosto, deixando nos olhos apenas o brilho intenso do cristal.

As flores da sala ainda vivem, são as únicas lembranças vivas desse amor, que já se foi, já passou, que não deixou rastro, foi, como deveria ir, e um dia compreenderá porque entrou na minha vida, nesse momento, é muito cedo, embora o tempo sem tempo, não explique os motivos da vida, mas nos traz compreensão e serenidade.

Estou voando baixo, mas voando, talvez ainda faça algumas paradas para respirar no meio do caminho, ainda não é momento de alcançar o alto, mas voar já traz novas esperanças, cada segundo que olho para trás a floresta está já mais distânte, me despeço das cores e sabores que ainda tenho sentido, mas digo adeus, tão fácil veio e tão fácil se foi, a vida é assim e o tempo, amigo meu, não me deixa sentar, me faz correr, me chama, grita e vou assim, tropeçando, correndo, sorrindo e cantando, o tempo não espera, as vezes anda um pouco devagar e me deixa alcançar, e continuamos, indo, sem rumo, indo indo indo, e é lindo demais saber que ainda vivo, a dor me despertou novos sentidos, antes adormecidos, vou me indo, nessa loucura do viver diário, respirando arfando, indo, e está bem, estou ok, viverei mais mil vidas e sempre num ritmo tão caótico que enlouquecerei sempre, delícia de loucura, de ver a cor do vento e sorrir, de saber do sofrer de estar viva e mesmo assim viver, como se não houvesse um amanhã, acho que não há mesmo, é tudo hoje, é agora, e do amanhã não me importa, não me cabe e nem se esgota.

É tempo de colher os frutos da estação passada, saborear o gosto do que antes foi plantado, e na relva verde, um pássaro canta belas canções, ouço seu canto, te olho nos olhos, vida, tão viva quanto as flores nascidas no dia, coloridas, não há tempo para lamentações, se foi e se foi é porque tinha que ir, vida, viva pulsando pulsante nas veias finas que percorrem meu corpo, o sangue quente alimenta a alma, é dia, e não há como se perder na escuridão, é dia, é vida.

A fumaça do cigarro faz desenhos no céu, tão lindos que me sinto flutuar, os olhos acompanham a subida e com ela me vou, voando, sabendo que ainda há espaço, que não deixei morrer o que há de mais belo, acordei hoje, nova, confiante, acordei e deixei a dor ir, talvez um dia volte, mas hoje se foi, adeus querida até um dia. Ainda estou viva.

4.6.07

OApanhadorNoCampoDeCenteio


Obrigada amigo, não pelas doces palavras, mas pelo gesto, não pelo diálogo, mas por estar aqui, não pelo tempo, mas simplesmente por vir, sem pedir explicações, obrigada, amigo, por ser quem és, como eu, e ouvir, sem eu ter que dizer, e não julgar por ser como eu, obrigada amigo, por ser tão parecido comigo que não necessitas de explicações, por não pedir explicações, vir, pelo simples pedido do vir, obrigada, por vir de pronto, por não se importar com o que já foi, é passado, vivido, pronto. Obrigada, por ter entrado em minha vida, e pela segunda vez, ter sido luz, sim é luz, e não preciso explicar, nem quero, nem vou, é nosso. Um momento que não precisa ser dividido, você veio, sem me pedir detalhes, sem me julgar pelo que passou, sem querer saber o que foi, veio, ouviu meu pedido, sem titubear veio, sei que ficarás bravo por tantos agradecimentos, nem tanto, nem tantos, obrigada.

Me apanhou à beira do precipício, resgatou, me fez lembrar do que é mais importante, amigo, levarei sua alma sempre comigo, saibas e sei que sabes, a recíproca é verdadeira, são curtas as palavras, entretanto, sei que nem precisaria dizê-las, obrigada amigo, por ser luz, quando eu não enxerguei entre a escuridão.